O chimpanzé tem um genoma que é 98,8% idêntico ao nosso. É o animal mais semelhante a um ser humano. Uma das principais diferenças entre nós e eles é a organização e o funcionamento do cérebro. A capacidade cognitiva de um chimpanzé adulto é muito menor que a de uma criança.

Para identificar as sequências de DNA que podem estar envolvidas com o desenvolvimento de nosso cérebro privilegiado os cientistas aplicaram diversos filtros. Primeiro, identificaram as sequências que são diferentes entre o nosso genoma e o genoma dos macacos. Dentro desse grupo selecionaram aquelas que são muito conservadas dentro de cada espécie. Ou seja, são iguais entre os indivíduos de cada uma das duas espécies, mas diferentes entre os chimpanzés e os humanos (isso exclui aquelas que determinam as diferenças entre você e seus primos).

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Isso resultou em aproximadamente 5.000 regiões de DNA. Entre essas, selecionaram as que estavam relacionadas a genes que funcionam no sistema nervoso. O resultado foi um grupo de 400 sequências que provavelmente explicam a diferença entre nosso cérebro e o dos chimpanzés. Nos últimos anos, um grupo de cientistas vem estudando cada uma dessas sequências.

Aparecimento e acúmulo de diversas alterações levaram nossos ancestrais distantes a possuírem cérebros cada vez maiores e mais poderosos que os dos macacos.

 Foto: ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

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Uma dessas sequências se chama Hare5, tem 619 nucleotídeos (as subunidades do DNA), é absolutamente conservada em todos os seres humanos, e só possui 4 dos 619 nucleotídeos diferentes da sequência presente nos Chimpanzés e nos roedores. Mutações nessa sequência provocam sérias alterações no cérebro humano.

Para testar se a Hare5 regula o tamanho e a estrutura do cérebro, os cientistas substituíram no genoma de um camundongo a Hare5 presente no camundongo pela Hare5 presente em todos os seres humanos. Lembre-se, foram modificados somente 4 nucleotídeos no DNA do camundongo (o genoma do camundongo possui 2,7 bilhões de nucleotídeos).

Para surpresa dos cientistas, esses camundongos modificados possuem um cérebro 6,5% maior que os camundongos normais. Quando esses cérebros foram examinados, se descobriu que esse aumento estava concentrado no córtex cerebral, exatamente uma das áreas em que o cérebro humano é muito maior. E esse aumento se dá pois existe um acúmulo de um tipo específico de neurônios no córtex cerebral.

Quando os cientistas examinaram o desenvolvimento desses camundongos, descobriram que existe um aumento no número de células progenitoras de neurônios e esse aumento leva a um acúmulo desse tipo de neurônio no córtex.

Eles também descobriram que a sequência chamada Hare5 regula uma cascata de genes e essa cascata foi identificada.

Esses resultados demonstram que pequenas modificações em genes reguladores são capazes de alterar a estrutura do córtex cerebral, transformando o cérebro de um camundongo em um cérebro mais parecido a um cérebro humano. Isso confirma a ideia de que foi o aparecimento e acúmulo de diversas alterações desse tipo que levaram nossos ancestrais distantes a possuírem cérebros cada vez maiores e mais poderosos que os dos macacos.

Infelizmente os cientistas não descrevem os comportamentos desses camundongos com cérebros turbinados. Será que eles são mais inteligentes? Talvez isso apareça nos próximos trabalhos desse grupo de cientistas. Vamos esperar.

Mais informações: A human-specific enhancer fine-tunes radial glia potency and corticogenesis. Nature https://doi.org/10.1038/s41586-025-09002-1 2025

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