Se sua musculatura está fraca e gostaria de poder levantar mais peso, andar distâncias maiores ou correr mais rápido, você tem duas opções: ir se exercitar na academia para induzir o crescimento de sua musculatura ou usar um exoesqueleto.
A novidade é que os exoesqueletos, que eram equipamentos caros e sofisticados, logo mais estarão nas lojas. E a razão é que um grupo de cientistas desenvolveu, testou e publicou todas as informações necessárias para você construir e comercializar exoesqueletos simples e baratos. E tudo isso foi publicado dentro do movimento “open source”, ou seja, qualquer um pode usar a receita para construir sem pagar direito autoral ou o licenciamento de patentes.
Exoesqueletos são desenvolvidos para auxiliar pacientes com problemas de locomoção ou facilitar o trabalho braçal. Foto: https://theopenexo.nau.edu/
Ao contrário das próteses que substituem um braço ou outro órgão, um exoesqueleto amplifica a força exercida por nossos músculos. Funciona como uma bicicleta elétrica moderna: elas medem a força que fazemos sobre o pedal e amplificam essa força usando um motor elétrico. Dependendo do como é regulada, uma bicicleta deste tipo pode dobrar, triplicar ou mesmo multiplicar por dez a força que você faz. Assim, com uma pedalada leve você vai mais longe mais rápido. É por isso que são chamadas de bicicletas assistidas.
Os exoesqueletos são parecidos. Eles podem ser usados num braço, em uma perna ou no tronco. Você veste esse equipamento e o prende ao corpo. Quando você vai levantar um peso, ele detecta a força que seu braço está fazendo e complementa essa força usando um motor elétrico ou um sistema hidráulico. Quando você diminui a força, ele diminui a ajuda. Vestindo um desses no braço, você pode levantar pesos maiores mais rapidamente ou repetir o movimento dezenas de vezes sem se cansar demais.
Esses equipamentos vêm sendo desenvolvidos há anos para auxiliar pacientes com problemas de locomoção, pessoas idosas ou mesmo para facilitar o trabalho braçal de pessoas que têm que fazer funções repetitivas, como empilhar caixas. Mas, essas traquitanas eram muito caras, feitas sob medida, em pequenos números. E isso se deve a sua complexidade.
Elas precisam de um sensor que mede quanto de força cada sistema muscular está fazendo a cada momento, esse sinal precisa ser processado por um computador que aciona o sistema elétrico que atua em paralelo com os músculos aumentando sua potência. E tudo isso precisa ser montado em uma espécie de roupa, presa ao corpo, respeitando os movimentos naturais de nossas articulações. Além disso, precisa ser fácil de vestir, tem que ser leve, confortável e carregar dentro dele as baterias elétricas. O resultado é uma máquina relativamente complexa.
O que os cientistas fizeram foi construir do zero um exoesqueleto que auxilia braços, pernas, cintura, quadril e ombros. Isso inclui a veste, as articulações, os motores, os sistemas eletrônicos que controlam o exoesqueleto, e o software necessário para que tudo isso funcione. Aí testaram esses sistemas em seres humanos e, quando tudo estava pronto, publicaram os projetos de cada componente e o código fonte do software.
Assim, qualquer pessoa pode, seguindo a receita, construir seu exoesqueleto. Além disso, o sistema foi desenhado para se adaptar para pessoas de qualquer tamanho. Todas as instruções, projetos e software podem ser encontrados no site https://theopenexo.nau.edu .
Aqui vão alguns resultados obtidos com voluntários usando esse exoesqueleto. Andando no plano em uma esteira, o uso do exoesqueleto reduz o gasto de energia de uma pessoa em 18%. Numa caminhada rápida de 1.650 metros, o exoesqueleto reduz o tempo em 13%, reduz o número de passos em 8%, aumenta o tamanho dos passos em 9% e a velocidade em 15%. No levantamento de uma caixa de 19,5 quilos, no tempo em que uma pessoa sem exoesqueleto levanta a caixa 5 vezes, com auxílio do exoesqueleto ela levanta a caixa 22 vezes.
Com essa publicação é provável que os exoesqueletos se tornem objetos de consumo para pessoas que necessitam de auxílio nas atividades do dia a dia. Eles devem permitir que idosos com pouca movimentação possam voltar às suas atividades rotineiras, e que trabalhadores sejam auxiliados em tarefas fisicamente exaustivas. Apesar de complexos, esses equipamentos podem se tornar acessíveis quando fabricados em escala.
Quanto a mim, que virei fã de bicicletas assistidas, não consigo esperar o dia que vou viajar em uma dessas bicicletas usando um exoesqueleto para me ajudar. Mas não deixe de se exercitar, os benefícios se estendem além dos músculos salientes.
Mais informações: OpenExo: An open-source modular exoskeleton to augment human function. Science Robotics. https://doi.org/10.1126/scirobotics.adt1591 2025