O historiador Robert Friedrichs levou 25 anos para descobrir a verdadeira identidade da ‘Miss Bomba Atômica’.

 Foto: AP video: Joch Locher, by Ty ONeil, Rio Yamat

A fotografia em preto e branco de uma mulher vestida apenas com um maiô em formato de nuvem teve papel central na construção da imagem de Las Vegas como cidade do espetáculo. De salto alto, ela sorri com os braços abertos enquanto um deserto se estende ao fundo como um palco.

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A imagem foi feita para promover o turismo nuclear nos EUA em 1950. Décadas depois, o diminuto figurino inspirou fantasias de Halloween e chegou a ser recriado pela ex-coelhinha da Playboy, Holly Madison, em 2012.

Uma das fotos originais feitas durante a sessão, mas que acabou sendo descartada na época, aparece ao fundo de um episódio da série policial “Crime Story”, ambientada nos anos 1960.

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Mas afinal, quem é a mulher que ajudou a imortalizar o registro e ficou conhecida como “Miss Bomba Atômica”?

Anna Lee Mahoney nasceu em 14 de agosto de 1927, no Bronx, Nova York, onde estudou balé antes de se apresentar em musicais e espetáculos sob o nome artístico Lee A. Merlin.

Em 1957, era a atração principal do showroom Copa, no Hotel Sands — ponto de encontro frequente da turma do Rat Pack e de mafiosos. Ela se apresentou para plateias ilustres, como Frank Sinatra e Louis Armstrong, segundo o obituário.

Depois de abandonar os palcos, Mahoney trabalhou por 30 anos como conselheira de saúde mental, mudou-se para o Havaí e se casou. Morreu em 2001, em Santa Cruz, Califórnia, após lutar contra um câncer.

Sua foto é uma das mais requisitadas entre os 7,5 milhões de registros no acervo do Centro de Convenções e da Autoridade de Visitantes de Las Vegas.

Cientista aposentado demorou décadas para descobrir identidade da ‘Miss Bomba Atômica’

A identidade dela foi conhecida graças à determinação do cientista Robert Friedrichs. Ele levou mais de 20 anos para conseguir decifrar o mistério.

Historiador e cientista aposentado, Friedrichs iniciou a carreira durante a era atômica — período complicado da história americana, quando a linha entre o medo e o fascínio pela energia nuclear era tênue.

Friedrichs começou a procurar por Miss Bomba Atômica por volta do ano 2000. O Museu Atômico estava prestes a ser inaugurado em Las Vegas e, como membro fundador, ele nutria a esperança — ainda que remota — de que ela estivesse viva e pudesse comparecer à abertura.

Robert Friedrichs, cientista que descobriu a identidade da “Miss Bomba Atômica”.

 Foto: AP Photo/John Locher

O que começou como a simples pergunta ‘quem era ela?’, virou uma obsessão que atravessou décadas, ultrapassou carreiras e sobreviveu a amizades.

Ele localizou o fotógrafo da sessão famosa e entrevistou ex-showgirls que confirmaram o nome artístico de Miss Bomba Atômica. Mas o nome verdadeiro da mulher continuava um mistério.

Após uma palestra no Museu Atômico, em que Friedrichs falou sobre sua busca, um membro da plateia enviou, no dia seguinte, uma cópia de um obituário. Um detalhe chamou a atenção: a mulher havia sido a dançarina principal do Hotel Sands. O nome dela era Anna Lee Mahoney.

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