Quando o meio ambiente muda, somente os seres vivos capazes de viver no novo ambiente sobrevivem. A fumaça que tornou preto o tronco das árvores na revolução industrial inglesa tornou as mariposas brancas presas fáceis para os pássaros, já as mutantes pretas ficavam camufladas e sobreviviam. Foi assim que as mariposas inglesas mudaram de cor. Nos seres vivos mais simples, a capacidade de viver nas novas condições é definida somente pelos seus genes, mas nos seres com cérebros desenvolvidos podem surgir novos comportamentos ou inovações que permitem a sobrevivência. É o caso dos nossos casacos e da construção de iglus.

Com o aquecimento global vamos observar o mesmo fenômeno: algumas espécies serão extintas, outras tomarão seu lugar. Com a falta de água, as cacatuas australianas aprenderam a abrir os bebedouros usados para matar a sede dos humanos.

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Nos parques de Sydney, na Austrália, existem colunas de concreto com uma torneira comum instalada no topo. Elas são idênticas às nossas torneiras, com um bico virado para baixo. Para abrir, basta virar a chave. Mas elas têm uma peculiaridade: possuem uma mola que fecha a torneira automaticamente. Para obter água, é preciso virar e segurar enquanto bebemos.

Um cientista, passeando no parque, observou uma cacatua pousada na torneira. Com uma pata segurava a alavanca, com a outra se agarrava no suporte e colocava o bico onde saía a água. Mas não ficou claro se ela tinha conseguido beber água. Os funcionários do parque confirmaram a observação e isso levou o cientista a se perguntar se as cacatuas conseguiam beber água, se toda a população de aves aprendera o truque, e quão frequente ele era.

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Imagem publicada no estudo mostra cacatuas-de-crista-amarela em um dos bebedouros da reserva Charlie Bali, na Austrália.

 Foto: Reprodução/Royal Society Publishing

Os cientistas instalaram câmeras de filmagem em diversas fontes no parque e filmaram o que acontecia durante 44 dias. Durante esse tempo, houve 525 tentativas de cacatuas de abrir a torneira, mas somente 41% foram bem-sucedidas. Os filmes mostram que a tarefa não é fácil, uma pata tem que fixar a ave na base da torneira, a outra agarrar a alavanca, e a cacatua tem que usar seu peso para fazer a alavanca virar contra a força da mola. Enquanto faz isso, o bico, num ato de contorcionismo, tem que ser colocado estrategicamente no local onde sai a água.

Como as cacatuas podem ser identificadas individualmente por pequenas diferenças na pelagem e algumas haviam sido marcadas, foi possível identificar cada cacatua que teve sucesso. Os cientistas observaram que 70% da população de cacatuas tentava abrir a torneira. Não foi possível determinar se os casos de sucesso (41% das tentativas) estavam restritos a um subgrupo de aves, ou se todas as aves que tentavam tinham 41% de sucesso. O que foi possível descobrir é que somente um conjunto muito específico de movimentos, na ordem correta, leva ao sucesso.

Outros conjuntos, ou ordem de movimentos, não produzem o resultado desejado. Ou seja, só existe um número limitado de soluções para o problema. Como o experimento ocorreu em um intervalo de tempo limitado, não é possível saber se aos poucos as cacatuas estão todas aprendendo o truque ou se a população é dividida em dois grupos, uma capaz de aprender, outro incapaz.

Esse é mais um exemplo da capacidade de aprendizado dos animais e como esse aprendizado pode ser essencial para a sobrevivência da espécie. Mas, as cacatuas não conseguem imaginar o futuro e não desconfiam que, se a água se tornar realmente escassa, esses bebedouros serão removidos e os humanos trarão suas próprias garrafas de água para o parque, tornando esse aprendizado inútil. Mas, saber o que vai acontecer no futuro muitas vezes não ajuda. Os seres humanos sabem que o aquecimento global está avançando, mas isso não significa que somos capazes de mudar nossos comportamentos.

Mais informações: Emergence of a novel drinking innovation in an urban population of sulphur-crested cockatoos, Cacatua galerita. Biol. Lett. https://doi.org/10.1098/rsbl.2025.0010 2025

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