O alinhamento planetário, que já vem se formando desde janeiro, tem seu ápice previsto para esta sexta-feira, 28, quando Mercúrio também poderá ser visto a olho nu junto com os demais astros do Sistema Solar. Para acompanhar este fenômeno, considerado raro por especialistas, não são necessários binóculos, lunetas ou outros instrumentos – embora ajudem.
A visualização do alinhamento poderá ser feita a olho nu. Mas, é preciso se virar para o lado oeste, em uma região com horizonte livre de árvores e prédios altos e torcer para que o céu esteja limpo. O melhor horário para observar todos os planetas é após o pôr do sol, no começo da noite. Até a meia-noite, a nitidez dos planetas vai variar conforme o horário – até as 19h, ainda será possível ver Saturno, Mercúrio e Vênus; até por volta da meia-noite, Marte estará visível.
Planetas alinhados de forma rara poderão ser vistos a olho nu nesta sexta-feira. Foto: SN/Adobe Stock
Este alinhamento especificamente significa que os planetas vão estar todos próximos uns dos outros e com a possibilidade de serem vistos juntos no horizonte, e em um mesmo horário. Para isso acontecer, é necessário que todos os planetas – que possuem velocidades diferentes – consigam se posicionar em sua respectiva órbita a ponto de estarem em uma mesma linha.
Outros fenômenos de alinhamentos planetários acontecem, mas na configuração de posições como a esperada para esta sexta é muito raro, explica Roberto Costa, professor do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). “É difícil que ocorra essa coincidência”, afirma o especialista.
Costa dá uma dimensão dessa raridade: “Para os planetas se alinharem da mesma forma, no mesmo arranjo que estão agora, isso só vai acontecer daqui a mais ou menos quatro séculos, lá para o final do século 25″, afirma.
Ele não exclui a chance de outros alinhamentos, com os planetas em posições diferentes, acontecerem neste tempo. “Para repetir este arranjo de posições, sim (vai levar quatro séculos), mas outros alinhamentos tão ou mais bonitos também ocorrerão”, afirmou o professor ao Estadão.
O que fazer para conseguir observar?
Roberto Costa, professor da USP, dá dicas de como observar o fenômeno:
- Procurar por um lugar que o horizonte oeste esteja desimpedido, sem prédios e árvores, que não tenha morros e que a noite esteja limpa, sem nuvens. “Minha sugestão para um observador leigo é sempre começar por Vênus. Ele é o objeto mais brilhante do céu exceto o Sol e a Lua”, orienta.
- Ver Mercúrio será difícil por conta da presença da Lua, que também estará na direção oeste. O brilho do satélite da Terra ofusca a luminosidade dos planetas.
- Para ver o planeta, o especialista sugere usar programas que reproduzem o céu para qualquer horário e local. “Existem vários gratuitos que podem ser instalados como aplicativo de celular, ou no computador, como o Stellarium e o Sky Chart”, recomenda Roberto Costa.
Refutando alguns mitos, o professor afirma que o alinhamento não altera em nada o que acontece na Terra. A força das marés, diz, é exercida pela Lua e pelo Sol.
“Os planetas estão a distâncias muito, muito grandes e é absolutamente impossível que ocorram influências gravitacionais dos planetas sobre a Terra”, ressalta. “Não tem influência nenhuma, é apenas um belo espetáculo para se admirar”.