O presidente Lula criticou, nos últimos dias, a demora do Ibama em conceder uma licença ambiental para a Petrobras perfurar um poço para pesquisar petróleo numa área conhecida da chamada Margem Equatorial, no litoral norte do país. Mas onde seria perfurado este poço? E por que está gerando tanta disputa dentro do governo? Entenda, em quatro mapas, o que está em jogo.
NOVA FRONTEIRA PETROLÍFERA?
O poço FZA-M-59 fica na Margem Equatorial, área com grande potencial petrolífero que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. Esta área é formada por cinco grandes bacias sedimentares (como são chamadas as formações geológicas que podem ter reservas de petróleo): Potiguar, Ceará, Barreirinha, Pará-Maranhão e Foz do Amazonas. O poço em questão fica a 175 quilômetros da costa do Amapá e a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas.
A Petrobras alega que a região tem grande potencial e pode se tornar uma nova fronteira petrolífera para o Brasil. O Ibama vê a área como de grande sensibilidade ambiental por abrigar unidades de conservação e ter grande biodiversidade marinha.
LEILÃO DE PETRÓLEO EM JUNHO
A Petrobras tem planos para investir na área dentro do seu projeto Amapá Águas Profundas e aguarda o aval do Ibama para pesquisar o petróleo na região.
Além disso, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) marcou para junho um leilão de vários blocos de petróleo que, entre outras, prevê 47 áreas na Bacia do Foz do Amazonas. A expectativa é que o aval do Ibama à Petrobras saia antes disso, para aumentar o interesse pelas áreas no leilão
Na Guiana, em 2015, a Exxon Mobill fez uma grande descoberta de petróleo em águas profundas na mesma região geológica da Margem Equatorial brasileira.
A estimativa é que a reserva seja de 11 bilhões de barris de petróleo. A exploração petrolífera fez o PIB do país, um dos menores da América do Sul, crescer 62% em 2022.
Em abril de 2024, a Petrobras anunciou uma segunda descoberta de acumulação de petróleo em águas ultraprofundas na Bacia Potiguar, no poço exploratório Anhangá. Antes, em janeiro, tinha encontrado petróleo em outro poço, o Pitu Oeste, a 24 quilômetros dali.
O reservatório Anhangá é do tipo turbidítico, formação rochosa similar à das reservas de petróleo de Guiana e Suriname.