A parente do deportado conseguiu contato com ele por telefone pouco depois que ele saiu do avião. A conversa foi intermediada pela secretária de Direitos Humanos do Ceará, Socorro França.
Ele, que reside no Ceará, é um dos 16 passageiros que ficaram em Fortaleza. O resto das 111 pessoas que estavam no voo vindo dos Estados Unidos pegou um avião da Força Aérea Brasileira e seguiu para o aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte
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Uma família que mora no Pará também preferiu parar em Fortaleza e foram encaminhados para a rodoviária da cidade para voltarem ao seu estado natal.
Visto que a maioria tinha Minas Gerais como destino final, foram poucos os familiares que estavam no aeroporto de Fortaleza para receber os deportados. A chegada na capital cearense aconteceu às 16h, mas os passageiros ainda tiveram que esperar dentro do avião porque um voo comercial vindo de Paris havia pousado um pouco antes.
Os poucos que estavam esperando os familiares deportados na área de desembarque internacional estavam misturados à maioria de parentes que esperavam seus familiares vindo da França e guias turísticos recepcionando turistas estrangeiros.
A secretária de Direitos Humanos do Ceará, Michelle Meira, disse que a principais reclamação dos passageiros foi a falta de comida. Segundo eles, o governo americano, que organizou o trajeto até Fortaleza, não disponibilizou alimentos para eles.
— Reclamaram muito que não tinham comida. Teve várias famílias que vieram com crianças e foram inclusive atendidas pelo Juizado da Criança e Adolescente. A gente teve todo um atendimento, todas as crianças estavam com as famílias.
Segundo a secretária, os deportados estavam algemados durante o voo, mas desceram do avião sem algemas. Ela também disse que foi fornecido alimentos a eles.
—Durante o voo teve toda uma preocupação de como eles iam chegar. Alimentação, tudo isso estava preparado aqui para que quando eles chegassem eles tivessem todo o tipo de atendimento necessário para que tivesse essa acolhida e pudessem respirar e ter o cuidado e uma acolhida do brasileiro, que a gente sabe fazer muito bem.
Da mesma forma, a secretaria-executiva do Ministério dos Direitos Humanos, Janine Mello, disse que o governo brasileiro prestou assistência.
— Deu tudo certo, eram 111 passageiros, parte deles foi realocada para o voo que vai para Confins e a outra parte vai ficar no aeroporto de Fortaleza e cada um vai para seu local de resistência — declarou.
Por determinação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério das Relações Exteriores negociou com o governo estrangeiro a alteração da rota. Como Fortaleza é uma cidade litorânea, o objetivo foi evitar que os passageiros sobrevoassem o mínimo possível o território nacional com algemas.
Um diplomata brasileiro foi designado para acompanhar o embarque dos deportados. A criação de um grupo de trabalho foi motivada por um incidente considerado grave e inaceitável pelo governo brasileiro.
Na noite de 24 de janeiro, 88 brasileiros deportados pelos Estados Unidos desembarcaram em Manaus (AM) algemados e com correntes nos pés. Também relataram maus-tratos sofridos dentro da aeronave.