Os investimentos verdes são uma tendência cada vez mais forte no mercado financeiro, mas nem sempre a alta expressiva de uma “ação verde” está realmente relacionada à responsabilidade ambiental. É o caso da Ambipar (AMBP3), empresa de gestão de resíduos e soluções sustentáveis que apresentou uma valorização impressionante ― mais de 3.000% ― em menos de seis meses.

Essa disparada surpreendente ocorreu mesmo sem grandes mudanças concretas nos fundamentos e resultados divulgados pela empresa. Após seu IPO em 2020, quando levantou R$ 1,08 bilhão, as ações dobraram de preço em pouco mais de um ano e chegaram a valer cerca de R$ 70. Porém, em junho de 2023, já despencavam para R$ 8. Foi a partir daí que começaram as oscilações mais recentes e radicalmente ascendentes, levando o papel a R$ 260 em dezembro — até voltar a cair 50% nos últimos dias.

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Fatores que impulsionaram (ou inflaram) a subida

  1. Compra de ações pelo fundador
    Tércio Borlenghi Junior, fundador da Ambipar, elevou sua participação para 73%, adquirindo cerca de 7% das ações no mercado.
  2. Entradas de grandes gestores
    A gestora de fundos Trustee DTVM comprou aproximadamente 15% dos papéis da Ambipar.
  3. Baixa liquidez para minoritários
    Restaram pouco mais de 10% das ações em circulação para negociação na Bolsa, fazendo com que qualquer movimento de compra ou venda tenha grande impacto no preço.
  4. Falta de transparência
    A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) já questionou a empresa sobre a escalada de preços, mas a Ambipar afirma desconhecer qualquer motivo específico.

O que isso significa para os investidores?

  • Risco de bolha: Preços inflados por ações concentradas nas mãos de grandes players podem desmoronar rapidamente, deixando investidores menores no prejuízo.
  • Investimento “verde”?: A alta pode passar a impressão de que há uma demanda crescente por empresas de sustentabilidade. No entanto, a disparada de preço não parece ter sido motivada por indicadores ambientais ou financeiros robustos.
  • Transparência e regulação: Os órgãos competentes precisam aprofundar as investigações, para que o mercado seja equilibrado e os pequenos investidores não fiquem “à deriva”.

Conclusão: O caso Ambipar (AMBP3) mostra que o rótulo de “investimento verde” não garante necessariamente uma valorização legítima e sustentável. A disparada (e posterior queda) dos preços sugere a influência de poucos grandes participantes, gerando incertezas para quem ficou de fora “da panelinha” e entrou tarde na festa.

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