A alta do dólar dá mais competitividade ao produto brasileiro no exterior, traz mais receitas em reais e alivia as contas no campo. Essa lógica, no entanto, já não é tão válida como já foi.

Além de encarecer as compras dos insumos importados, a alta do dólar afeta os médios e pequenos produtores, principalmente os da agricultura

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Na outra ponta, os consumidores de baixa renda, que têm o arroz e o feijão na base da alimentação, vão sofrer mais as consequências da valorização da moeda americana.

Os tempos mudaram, e à formação dos preços agrícolas foram acrescentadas novas variantes, afirmam Daniele Siqueira, da AgRural, e Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

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“O mercado mundial é comprador de alimentos, e tudo que tivermos para exportar entra nessa lista, inclusive produtos antes destinados ao mercado interno”, diz Brandalizze. Ele cita o feijão.

A produtividade da leguminosa evoluiu muito, e alguns médios e grandes produtores que usam mais tecnologia no campo já conseguem até 80 sacas por hectare. Essa produtividade compensa a elevação de custos trazida pelo dólar. Os da agricultura familiar, porém, continuam com produtividade muito baixa e sofrem as consequências desses custos extras.

O dólar traz um efeito perverso também para o consumidor brasileiro de produtos básicos. O país achou o caminho das exportações para arroz e feijão, e o dólar pressionado traz para o mercado interno os preços externos, mais elevados.

Essa combinação de pouca produtividade e de aumento de custos de produção tira cada vez mais gente do campo, diz Brandalizze.

Os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) indicam que o Brasil exportou 310 mil toneladas de feijão até novembro, 152% a mais do que em 2023. As exportações de arroz, mesmo com a perda de produção no Sul, superaram 1 milhão de toneladas. Para Brandalizze, a internalização dos preços externos pesa muito sobre o poder de compra dos consumidores de menor renda.

Feijão, arroz e trigo são básicos à alimentação, e esses produtos sobem com a depreciação do real, gerando mais inflação. “O trigo está barato no mercado internacional, mas o dólar faz com que ele suba internamente, e esse será um fator de pressão inflacionária em 2025”, diz o analista.

As coisas mudaram também para as grandes culturas, como soja e milho. “A formação de preços da soja tem mudado nos últimos anos”, diz Daniele. De um lado, o Brasil lidera produção e exportação, sendo seguido pelos Estados Unidos. De outro, a China tem um domínio sobre as compras.

A formação clássica são os preços em Chicago, mais prêmio e câmbio. O preço que o produtor brasileiro quer receber e o que o chinês quer pagar, porém, estão interferindo nos valores de Chicago, nos prêmios e até nos fretes marítimos, afirma a analista.

O dólar em alta acaba afetando os preços de Chicago. “Se de um lado o produtor ganha com a formação de preço com o dólar mais alto, de outro perde porque os preços caem em Chicago”, diz Daniele.

Mudanças bruscas geram incertezas. Por isso, não ocorrem muitos negócios, mesmo com o dólar em alta. As atenções agora se voltam para janeiro, quando a safra brasileira, que promete ser recorde, ficará mais bem definida, afirma ela.

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